domingo, 29 de abril de 2012

"A gente mal nasce e começa a morrer..."




"Porque não há nada sem separação", já diria o poeta.Foi mesmo um desencontro. Desses muitos que existem por aí. Neste caso por aqui. Não estamos alheios a eles.

Você veio como um susto e partiu como ausência do que poderia ter sido e não foi. Como nos bons encontros passageiros.

Quero que saiba que o pouco tempo ao teu lado - em minha morada - fez de mim a certeza da Renata que  renasce. Minha missão nessa vida é dar sentido ao meu nome: nascer, renascer, transformar e permitir que todos ao meu redor não tenham medo de ser concha, olhar para si e renascer dos grãos de areia e pedras, tornando-se pérola.

Acredito na sabedoria da vida e ela me trouxe a bela confirmação do acaso: maio seria mesmo um mês de transformação e que a imagem da leveza do campo de margarida, comigo permaneceria. Será preciso buscar a leveza de ser. Apenas ser.

Te ter já não é mais uma possibilidade. Acreditei, de verdade, nos sonhos que você traria junto do sorriso largo e da pureza infantil. No entanto, foi preciso te ver partir.

Permaneceram comigo a certeza da humildade, do amor, das escolhas e de que a vida está no controle. Ela tem sempre razão.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Saudades...


Domingo. Dia da macarronada da nona. A mesma família, os mesmos assuntos, as mesmas porpetas e guaranás.

Mas hoje foi diferente. Abracei a Dona Gilda, segurei- a pelas mãos, conversei fitando-a nos olhos, como faço. Mas hoje foi diferente.

Tive o assopro do quão raro aquela cena se repetiria. Lembrei que a única certeza que a vida nos dá é o fim dela. E só. Sinto que o sopro naquela velhinha forte, palmeirense roxa, teimosa, pode apagar.

Ela me fez, mais uma vez, constatar o meu excesso de humano. Sou materialista. Preciso da presença, do toque, do cheiro, das cores, dos olhos para sentir a vida pulsar.

Te quero egoísta e por perto. Os gestos cotidianos de carinho, tornaram-se, naquele ínfimo segundo, despedida. Minhas mãos e lábios tocavam ali uma história de 89 anos, da qual faço parte a 22, somente.

Sou um terço daquela mulher. Daquela vida. E mesmo assim, ela faz com que a minha pareça ser razão da dela. Faz com que a existência seja algo divino. Não importando qual.

“- Não quero morrer, já falei pra Deus. Vai que essa história que do lado de lá a gente se encontra é conversa fiada. Tenho mais que querer a vida, porque é ela que me garante estar aqui com vocês” ( Dona Gilda – 29/08/04)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Para os dias cinzas...



Acordo em dias que parecem ter roubado quem sou eu. Como esse. Não sei porque falta tanta espaço no abraço. Não sei porque o sorriso não veio trabalhar. Não sei onde eu queria estar agora e muito menos com quem. Não quero cumprir agendas, responder a e-mails ou viver o meu check list. Não quero entender as pessoas ao meu redor. Não saberia como pedir ajuda. Não saberia definir o que sinto. Não saberia chorar.

Chamo isso de solidão.

sábado, 3 de setembro de 2011

O tal cd do Cartola...



Caso alguém me perguntasse se sou supersticiosa eu diria sem titubear: Não! Não tenho amuletos. Não tenho medo de escadas. Acho gato preto um charme. Nasci em agosto. E aprendi a gostar de dias ímpares, inclusive o 13 e suas variações.

Mas tem um cd do Cartola que me faz contraditória. Toda vez que ainda abro aquele velho porta-cd e olho para ele, tenho medo. Todos os cds retidos por lá continuam felizes, a me acompanhar. Eles fazem parte da minha história. Cada qual representa uma época, um momento, um sorriso, um trânsito chuvoso, um amor não correspondido, um amigo que partiu. Mas o do Cartola...

Eu sei lá que mal ele tem. Eu sei que é olhar para ele que uma voz sussurra em meus ouvidos: Esse cd não! É melhor não! Dá azar. E eu não tenho coragem nem de tocá-lo. Nem de colocá-lo pra tocar.

A verdade é que não tem nada de mistério, a resposta é simples: O único dia em que ele tocou, eu bati o carro. Lembro bem. Eu com as típicas maria-xiquinhas no cabelo, correndo para não me atrasar para mais uma aula.

Confesso, não é isso. Já bati o carro outras vezes e nunca culpabilizei algo. É que comprei o cd para impressionar e acabei impressionada. Naquela fase da vida que impressionar o outro é mais importante que ser tocado pelo outro.

E aí, de repente, me veio o Cartola pela direita e não deu seta, atravessou o meu cruzamento e me encheu de verdades. A partir desse dia, meu seguro contra terceiros foi acionado.O problema é que ainda não aprendi a lição...Salve, Cartola!

domingo, 31 de julho de 2011

Desconexão Felina

 
E a Cássia mais uma vez tem razão: tô lá causando o tsunami, mas achando que estou apenas assoprando a velinha do bolo de aniversário. Essa mania felina de cavar buracos e querer ver o que tem lá dentro. E não basta dar uma espiadinha no buraco, me desafio a trazer pro tapete da sala toda aquela terra suja. E só depois me condeno e penso: E se meu dono ficar bravo? E se meu dono não quiser brincar? Mas nessa hora, já era. A terra está toda lá...

Quis trazer o futuro para perto. Com a certeza de que tudo daria certo. Como nessa rima barata. E é preciso que eu confesse: acelerei. Dei FF no nosso filme (nasci nos anos 80). Apressei a angústia que estava ali, silenciosa entre nós. E agora cá estou: insônia, cabelos despenteados, sem ter resposta para as suas perguntas. Sem ter vontade. Sem ter coragem.

Sem saber qual será o próximo buraco que vou cavar...

sábado, 25 de junho de 2011

Da série: Porquê não somos uma ilha....



Parte I - O que não dizemos...

- E acho que com minha necessidade de falar, sinto que menos ainda esgota as coisas que quero escutar, parece que tão pouco sei como você está. É algo meu ou você compartilha desse sentimento?

- Acho que a dificuldade da conversa foi simbólica e fiquei pensando: será que ela tem paz e espaço para poder ficar sozinha e falar segredos para ela mesma?

Parte II - Eu queria...

- Queria ter dito mais.Queria ter reforçado que o que alcançou já é uma vitória. Você está se abrindo e se dedicando às suas paixões. Quer melhor confirmação?

- Em todo contato minimamente mais próximo contigo, minha perspectiva de mundo muda. Parece que tudo que sinto se rearranja e consegue engrandecer.Queria para mim um pouco do olhar que tem sobre mim.

Parte III - Sempre no amor...

- Terminei minha noite apaixonada por você! Com vontade de te devorar e no melhor sentido poético...de ter um pedacinho dessa sua beleza cá comigo, sempre!Te encontro no amor, Eu.

- Acho que você não tem idéia do tanto de poder que seus olhos e suas palavras te dão.Te quero por perto sempre. No amor, Ela.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Do xixi à mitologia grega


- Caso você fosse uma bebida, você nunca seria um refrigerante e sim um suco natural.
- Artificial nem pensar. Você até pode gostar, mas toma sabendo que o gosto que sente não é bem aquilo, é uma imitação mais barata, mais rápida e por isso (e tantos outros fatores) mais artificial do que o que realmente queria saborear.
- E tem gente que gosta de ser enganado, não é?
- Aham e como gosta. Mas, olha, eu prefiro ser um chá do que um suco natural. Oras quente, oras gelado, mas chá.
-  Chá parece xixi. Dá vontade de fazer xixi. Você não é um xixi.
-  Melhor xixi do que não ser nada. Posso ser um chá mate, daqueles que não parecem xixi e fazem o olho arregalar e o coração acelerar, posso?
- Aí é erva...
- Aí sou Hera*...

* Hera é uma deusa da mitologia grega equivalente a Juno (mitologia romana). Ela carrega consigo um romã, símbolo da fertilidade, sangue e morte, que funcionava como substituto das cápsulas de papoula e ópio.

Quem quiser saber mais sobre Hera: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hera